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Trump, Petróleo e a Arte do Tango: Por Que o Crude Continua Dançando no Ritmo do Presidente

O petróleo saltou de 72 para 112 dólares por barril com o conflito EUA-Irão. Mas os traders estão a perder a fé nas garantias de Trump. Aqui está o que está realmente a acontecer.

Trump, Petróleo e a Arte do Tango: Por Que o Crude Continua Dançando no Ritmo do Presidente

Uma Valsa Volátil que Vale a Pena Acompanhar

Se alguma vez te perguntaste o que acontece quando o político mais imprevisível do mundo encontra o mercado de commodities mais nervoso do planeta, a resposta é: caos com banda sonora. Desde que os ataques americanos ao Irão começaram a 28 de fevereiro, os preços do petróleo têm dado solavancos como um concorrente de dança que bebeu um copo a mais na festa pós-espetáculo. E o dançarino principal? Donald Trump.

Os Números Contam uma História

Antes de as bombas começarem a cair, o Brent andava calmamente pelos 72 dólares por barril. Sem graça. Até aborrecido. Depois os ataques começaram, e o preço por barril fez o que sempre faz em tempo de guerra: entrou em pânico.

A 19 de março, o Brent tocou brevemente nos 119 dólares por barril, impulsionado pelos ataques de retaliação iranianos à instalação de GNL de Ras Laffan, no Qatar, a maior do género no planeta, além de ataques à infraestrutura da Arábia Saudita e do Kuwait. A Agência Internacional de Energia classificou o evento como a maior perturbação de oferta na história do mercado petrolífero mundial, com os fluxos pelo Estreito de Ormuz a colapsar de 20 milhões de barris por dia para praticamente zero.

Na sexta-feira, 27 de março, o Brent fechou nos 112,57 dólares, o valor de fecho mais alto desde julho de 2022. Nada tranquilizador para quem tem um carro ou, sabe, come comida que chega de camião.

Os Anúncios Suspeitos de Trump no Momento Certo

É aqui que a coisa fica verdadeiramente interessante. Sempre que o petróleo se aproxima de valores que fazem arregalar os olhos, Trump aparece com uma palavra tranquilizadora. As negociações com o Irão estão a correr "muito bem", publicou no Truth Social, anunciando uma pausa nos ataques à infraestrutura energética iraniana até pelo menos 6 de abril.

O mercado respirou brevemente de alívio. Depois lembrou-se de algo importante: o Irão negou categoricamente que essas negociações estejam a acontecer. Teerão classificou as afirmações de Trump como "manipulação de mercado", o que é uma acusação bastante ousada mas não de todo irrazoável. A CNN publicou uma análise que examinou o que chamou de "anúncios de Trump sobre o Irão suspeitos de coincidirem com o mercado". Quando as declarações de um presidente em funções parecem ter sido redigidas com um olho num terminal Bloomberg, as questões são legítimas.

Os Traders Estão a Perceber o Jogo?

Este é o ponto crucial. No início do conflito, uma publicação tranquilizadora de Trump conseguia baixar o preço do barril alguns dólares quase de imediato. Os traders queriam acreditar. Mas o padrão parece estar a enfraquecer.

Na quinta-feira, 26 de março, os mercados bolsistas norte-americanos sofreram a maior queda num único dia desde o início da guerra, com o S&P 500 a cair 1,7%. E na sexta-feira, apesar do otimismo de Trump em relação às negociações, o petróleo continuou a subir na mesma. O mercado, ao que parece, está a começar a confiar mais em ações do que em publicações nas redes sociais.

O Goldman Sachs sugeriu que os preços elevados do petróleo poderão persistir até 2027. Os economistas de Wall Street aumentaram significativamente as probabilidades de recessão. O ambiente, como os analistas poderiam dizer, não é dos melhores.

Por Que Isto Importa Para Além do Pregão

Petróleo a 112 dólares não é apenas um número num ecrã. Reflete-se diretamente nos preços da gasolina, nas faturas de aquecimento, nos custos alimentares e no humor geral de uma economia. Quando rotas de abastecimento como o Estreito de Ormuz ficam efetivamente bloqueadas, os efeitos em cadeia chegam a todos, desde as empresas de transporte até às famílias.

A capacidade de Trump de mover os mercados com uma publicação nas redes sociais foi sempre uma característica notável, ainda que ligeiramente assustadora, dos mercados modernos. Mas se os traders estão genuinamente a ficar imunes às garantias, a válvula de segurança desaparece. O que resta é uma crise de abastecimento real, uma guerra sem data de fim à vista, e um presidente cuja credibilidade no assunto está a ser abertamente questionada pelo próprio país com o qual afirma estar a negociar.

A Conclusão

O tango entre Trump e os mercados petrolíferos tem sido fascinante de observar, mas a música pode estar a mudar. Quando tanto o teu parceiro de dança como o público deixam de acreditar que estás a liderar, acabas apenas a tropeçar sozinho pela pista. Prepara-te para uma primavera turbulenta.

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Written by

Daniel Benson

Writer, editor, and the entire staff of SignalDaily. Spent years in tech before deciding the news needed fewer press releases and more straight talk. Covers AI, technology, sport and world events — always with context, sometimes with sarcasm. No ads, no paywalls, no patience for clickbait. Based in the UK.