Por que as tensões globais podem afetar em breve a sua conta de supermercado
O custo do conflito chega à nossa mesa
Muitas vezes pensamos nas crises geopolíticas como algo que acontece no noticiário, confortavelmente distante das nossas vidas diárias. Infelizmente, o Sindicato Nacional dos Agricultores (NFU) emitiu um aviso sério que sugere que o potencial de conflito no Médio Oriente está prestes a fazer uma aparição muito indesejada nos nossos supermercados locais.
Já não se trata apenas do preço da gasolina na bomba. Quando a estabilidade global vacila, a cadeia de abastecimento sente as ondas de choque quase imediatamente. Para o agregado familiar médio no Reino Unido, isto pode traduzir-se num aumento mais acentuado dos preços dos alimentos e, potencialmente, naquelas temidas prateleiras vazias.
Por que é que o Médio Oriente importa para os agricultores britânicos?
Poderá questionar-se por que razão uma disputa a milhares de quilómetros de distância afeta um campo em Somerset. A resposta é combustível e fertilizantes. A agricultura moderna é um negócio intensivo em energia. Se o conflito interromper as rotas de petróleo, o custo do gasóleo para os tratores e o preço dos fertilizantes à base de azoto disparam.
Os agricultores já operam com margens muito apertadas. Quando os seus custos de produção aumentam da noite para o dia, eles simplesmente não conseguem absorver essas perdas. Têm duas opções: passar os custos para os retalhistas ou reduzir a produção. Nenhuma das opções é boa para o seu cesto de compras.
O impacto na sua carteira
Passámos os últimos anos a lidar com as consequências da inflação e, precisamente quando as coisas começavam a parecer ligeiramente mais previsíveis, a perspetiva de maior instabilidade é uma dor de cabeça que ninguém precisa. Se a NFU estiver correta, estamos perante um cenário em que o preço de produtos básicos como pão, laticínios e vegetais da época pode subir significativamente.
Vale a pena lembrar que a cadeia de abastecimento alimentar do Reino Unido é frágil. Dependemos fortemente de bens e energia importados. Quando o mercado global entra em pânico, os nossos supermercados são frequentemente os primeiros a sentir a pressão. Se os fornecedores não puderem pagar o transporte de mercadorias, ou se o custo de produção tornar a agricultura local inviável, os preços sobem e a disponibilidade diminui.
Existe um lado positivo?
Se existe uma conclusão positiva, é que o setor está a falar abertamente sobre estes riscos desde cedo. Ao destacar a ligação entre a política externa e a segurança alimentar, a NFU está a pressionar o governo para que considere o setor agrícola no seu planeamento estratégico. Precisamos de um sistema alimentar mais resiliente que não entre em colapso sempre que há um contratempo geopolítico.
O que deve fazer?
Embora certamente não precise de começar a comprar massa em pânico, é um lembrete para comprar de forma mais inteligente. Apoie os produtores locais sempre que possível para reduzir a dependência de cadeias de abastecimento longas e complexas. Fique atento ao seu orçamento e talvez procure alternativas mais sazonais aos produtos importados.
A realidade é que a segurança alimentar é uma questão de segurança nacional. Todos nós deveríamos prestar mais atenção à forma como estes eventos globais influenciam o custo das nossas compras semanais.
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