Petróleo, Política e Oleodutos: A Disputa de Zelensky com a UE Explicada
A Telenovela Geopolítica Continua
Bem-vindo ao episódio mais recente de 'Como Irritar os Seus Vizinhos Enquanto Trava uma Guerra.' Esta semana, o presidente Volodymyr Zelensky enfrenta alguns dos seus aliados da UE numa disputa sobre um cano muito específico e muito oleoso. Se achava que as discussões domésticas sobre quem deixou o esquentador ligado eram tensas, espere até ver o que está a acontecer com o oleoduto Druzhba.
Para quem não está familiarizado com as infraestruturas da era soviética, o oleoduto Druzhba, que ironicamente se traduz como 'Amizade', é um dos maiores oleodutos do mundo. Transporta petróleo bruto russo através da Ucrânia para vários países da Europa Central. Recentemente, porém, a amizade tem parecido um pouco frágil. A Ucrânia decidiu bloquear o fluxo de petróleo da empresa russa Lukoil, e certos vizinhos da UE estão, para dizer o mínimo, a fazer uma tempestade num copo de água.
A Acusação de Chantagem
O presidente Zelensky não tem papas na língua. Acusou alguns dos seus aliados da UE de 'chantagem' nesta disputa sobre o oleoduto. A sua lógica é bastante simples: restabelecer o fluxo de petróleo russo através da Ucrânia para a UE seria efetivamente o mesmo que levantar as sanções contra a Rússia. Do seu ponto de vista, é um pouco absurdo pedir a um país que está a ser invadido que ajude o invasor a vender a sua exportação mais valiosa.
Imagine que alguém está a tentar arrombar a sua porta, e o seu vizinho do lado pergunta se pode deixar o intruso usar a sua entrada para lhe entregar gasolina em casa porque é um pouco mais barata do que na bomba local. Provavelmente também teria umas palavras para esse vizinho. A perspetiva de Zelensky é que não se pode afirmar apoiar a Ucrânia com uma mão enquanto se tenta manter as torneiras do petróleo russo bem abertas com a outra.
Os Vizinhos Resmungões: Hungria e Eslováquia
Os principais protagonistas do outro lado desta disputa são a Hungria e a Eslováquia. Estas duas nações não têm acesso ao mar e são fortemente dependentes do petróleo bruto russo. Viktor Orbán, da Hungria, e Robert Fico, da Eslováquia, têm sido bastante vocais sobre o seu descontentamento. Argumentam que a iniciativa da Ucrânia ameaça a sua segurança energética e pode levar a um aumento massivo dos preços dos combustíveis para os seus cidadãos.
Da perspetiva do Reino Unido, conhecemos bem a crise do custo de vida e a dor sentida nas bombas de gasolina. Embora tenhamos largamente abandonado a energia russa, estes países da Europa Central estão numa situação geograficamente mais difícil. No entanto, a sua insistência em manter o petróleo russo a fluir colocou-os em conflito com o consenso mais amplo da UE. Criou uma espécie de confronto no recreio em que Bruxelas tenta fazer o papel do professor cansado, enquanto os alunos apontam dedos uns aos outros.
Porque é Que Isto Importa para a Economia do Reino Unido
Pode estar a perguntar-se por que razão uma disputa sobre um oleoduto na Europa Central importa a alguém que está a abastecer o seu hatchback em Manchester. A realidade é que o mercado energético é uma confusão global e interligada. Qualquer instabilidade na forma como o petróleo se move pela Europa pode causar ondas nos mercados. Se a Hungria e a Eslováquia entrarem em pânico e procurarem fornecimentos alternativos no mercado aberto, fazem subir o preço para todos os outros, incluindo nós.
Além disso, esta disputa destaca as fissuras na frente unida europeia contra a agressão da Rússia. Para o Reino Unido, que tem sido um dos apoiantes mais firmes da Ucrânia, ver membros da UE a discutir sobre faturas de energia é frustrante. Lembra-nos que a transição para a energia verde, ou pelo menos para a independência energética, não é apenas um objetivo climático, é um requisito de segurança enorme.
O Veredicto
Zelensky está a ser demasiado severo? Provavelmente não. Quando o seu país está sob bombardeamento constante, tende-se a perder a paciência para as delicadezas diplomáticas. A Hungria está a ser egoísta? Certamente parece assim de fora, embora argumentem que estão simplesmente a proteger os seus próprios contribuintes. O verdadeiro problema aqui é a dependência persistente da energia russa barata que deveria ter sido resolvida há anos.
A disputa sobre o oleoduto Druzhba é um lembrete claro de que, mesmo quando falamos de guerra de alta tecnologia e sanções digitais, o mundo ainda funciona com o velho e bom ouro líquido. Até que a UE consiga desligar completamente as suas necessidades energéticas de Moscovo, estas disputas vão continuar a acontecer. Por enquanto, Zelensky mantém a sua posição, e o oleoduto da 'Amizade' continua a ser tudo menos amigável.
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