Liam Rosenior no Chelsea: Um Começo de Sonho Virou Pesadelo, ou São Apenas Dores de Crescimento?
De Quatro Vitórias a Quatro Derrotas: A Montanha-Russa de Rosenior
Quando o Chelsea nomeou Liam Rosenior como treinador principal a 6 de janeiro de 2026, entregando ao treinador de 41 anos um contrato de seis anos válido até 2032, as reações variaram entre um otimismo cauteloso e uma perplexidade total. Estava ali um treinador cujo currículo incluía uma passagem pelo Strasbourg, clube pertencente à estrutura BlueCo, e um período no Hull City que terminou com uma demissão após perder os play-offs do Championship por apenas uma posição. Dificilmente o perfil que se esperaria para um dos maiores cargos do futebol europeu.
E, no entanto, durante algumas gloriosas semanas, funcionou mesmo. Rosenior venceu os seus primeiros quatro jogos da Premier League, incluindo uma remontada notável de 2-0 frente ao West Ham. O Chelsea parecia rejuvenescido. Os céticos pareciam tolos. A vida estava boa.
Depois, a realidade apareceu, sem convite e completamente indesejada.
Os Números Pintam um Quadro Sombrio
Avançando para o final de março de 2026, o ambiente em torno do Stamford Bridge mudou dramaticamente. Rosenior venceu apenas 3 dos últimos 12 jogos em todas as competições. O Chelsea está na sexta posição, a apenas um mísero ponto do Liverpool, quinto classificado, e de um lugar na Liga dos Campeões. Acumulou 17 pontos em 10 jogos na liga, o que parece razoável até nos lembrarmos que as primeiras quatro jornadas foram todas vitórias.
A série recente foi simplesmente desastrosa: quatro derrotas consecutivas, com destaque para uma derrota agregada de 8-2 às mãos do PSG nos oitavos de final da Liga dos Campeões e uma humilhação de 3-0 no Everton a 21 de março. Essa derrota no Goodison Park, com Beto a bisar e Iliman Ndiaye a marcar o terceiro, foi o pior resultado do Chelsea frente ao Everton desde 1987. Vale a pena deixar isso assentar por um momento.
O Problema Maior: Uma Crise de Identidade
Talvez a acusação mais devastadora tenha vindo de dentro do próprio balneário. O vice-capitão Enzo Fernandez declarou publicamente que o Chelsea havia perdido a sua "identidade, estrutura e direção" desde a saída de Enzo Maresca a 1 de janeiro de 2026. Quando os próprios jogadores questionam abertamente o rumo do clube, é sinal de que as coisas foram mesmo muito a sul.
Vale a pena questionar se Rosenior alguma vez teve condições para ter sucesso. Maresca saiu abruptamente, o plantel foi construído com base na visão de outra pessoa, e Rosenior herdou um elenco inchado, sustentado por quase 2 mil milhões de libras em transferências desde a aquisição pela Clearlake-BlueCo em maio de 2022. Acrescente-se uma multa de 10,75 milhões de libras da Premier League e uma transferência suspensa por infrações históricas, e temos um clube a ir de crise em crise.
A Questão da Nomeação Que Não Vai Embora
Os críticos têm apontado sistematicamente para a natureza da nomeação de Rosenior. Transferi-lo do Strasbourg, um clube dentro da mesma estrutura de multi-clubes da BlueCo, cheirou a uma promoção interna em vez de uma verdadeira procura pelo melhor candidato disponível. O mercado de janeiro viu um investimento significativo, com Jamie Gittens a chegar do Dortmund por 48,5 milhões de libras, Alejandro Garnacho do Manchester United por 40 milhões de libras, e Estevão do Palmeiras por 29 milhões de libras. No entanto, estas contratações não se traduziram em resultados.
A interpretação caridosa é que Rosenior precisa de tempo para integrar os novos jogadores e implementar as suas ideias. A menos caridosa é que está fora da sua profundidade a este nível, e que o grupo proprietário privilegiou a conformidade dentro do seu modelo de multi-clubes em detrimento da ambição competitiva.
Então, É Justo?
Aqui está a análise honesta: as duas coisas podem ser verdade em simultâneo. Rosenior herdou uma situação complicada, e merece alguma compreensão por isso. Mas também não conseguiu travar uma queda que passou de preocupante a genuinamente alarmante. Quatro derrotas consecutivas não são um acidente. Uma eliminação da Liga dos Campeões com um agregado de 8-2 não é azar. Uma crítica pública do vice-capitão não é uma invenção dos media.
A pausa internacional de março dá ao Chelsea um momento natural para reagrupar. O clube apoiou Rosenior por enquanto, ao que se diz, mas com a qualificação para a Liga dos Campeões a pender por um fio, as próximas semanas vão definir o seu mandato de uma forma ou de outra.
A boa vontade conquistada com aquelas primeiras quatro vitórias evaporou-se com uma rapidez surpreendente. Se Rosenior conseguirá reconstruí-la depende inteiramente dos resultados, e neste momento, os resultados são precisamente o que ele não consegue encontrar.
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