Hegseth na Corda Bamba: Os Momentos em que o Chefe do Pentágono Vacilou Sob Pressão do Congresso sobre o Irão
Pete Hegseth enfrentou seis horas de pressão no Congresso sobre a guerra de 25 mil milhões de dólares contra o Irão. Os momentos mais difíceis surgiram quando foi confrontado com as suas próprias palavras.
Se você queria um pouco de teatro político esta semana, o Comité das Forças Armadas da Câmara dos Representantes serviu um épico de seis horas. Pete Hegseth, o chefe do Pentágono encarregado de defender a guerra de nove semanas dos Estados Unidos contra o Irão, passou a maior parte do tempo a esquivar-se, a deflectir e, em vários momentos reveladores, visivelmente a perder a compostura.
O número de destaque? Um valor redondo de 25 mil milhões de dólares. É quanto a guerra custou até agora, de acordo com os números do Pentágono apresentados perante o comité a 29 de abril de 2026. E os legisladores, de ambos os lados do corredor, queriam saber exactamente o que a América comprou com esse dinheiro.
Uma audição que nunca ia ser amigável
A atmosfera na sala estava tensa antes de Hegseth ter sequer aberto a boca. A guerra, lançada a par com Israel a 28 de fevereiro de 2026, foi travada sem autorização do Congresso. O relógio da Resolução dos Poderes de Guerra de 60 dias está a fazer um barulho ensurdecedor, e um prazo de junho paira no horizonte, quando a administração Trump terá de garantir a aprovação do Congresso ou iniciar uma retirada de 30 dias.
Hegseth, ladeado pelo CFO do Pentágono Jules 'Jay' Hurst e pelo General Dan Caine, chegou armado de bravata. Rapidamente classificou os democratas do painel como 'irresponsáveis, ineptos e derrotistas'. Era o tipo de frase concebida para ter boa recepção nos canais de notícias, mas com menos efeito numa sala cheia de pessoas com poder de intimação.
A emboscada de Goodlander
O primeiro momento verdadeiramente embaraçoso foi da autoria da Representante Maggie Goodlander. Ela apresentou uma citação do próprio Hegseth, datada de 12 de abril de 2016, na qual ele havia argumentado que os militares não devem obedecer a ordens ilegais.
Caro leitor, a expressão no rosto dele foi de antologia.
Ser citado de volta a si próprio quase uma década depois raramente é uma experiência confortável, especialmente quando a citação contrasta de forma incómoda com o seu trabalho actual de executar uma guerra que o Congresso nunca aprovou. Hegseth tentou baralhar as águas, mas o momento foi certeiro. A administração havia, afinal, acusado o Senador Mark Kelly e outros democratas de 'sedição' no final de 2025 por defender essencialmente o mesmo ponto num vídeo entretanto famoso. A hipocrisia pairava no ar como um mau cheiro.
A pergunta incómoda de Adam Smith
Se Goodlander o destabilizou, o Representante Adam Smith pareceu genuinamente desarmá-lo. Smith pressionou com a pergunta óbvia e incómoda. Hegseth afirmou repetidamente que as instalações nucleares do Irão foram 'obliteradas' durante os ataques norte-americanos de 2025. Então porque é que, exactamente, as forças americanas estão agora nove semanas a fundo numa guerra em pleno vigor?
Ou obliterou a ameaça ou não obliterou. Ambas as coisas não podem ser verdade ao mesmo tempo. Hegseth optou pela fanfarronice em detrimento da clareza, o que raramente é sinal de alguém com uma resposta sólida.
A remodelação da cúpula militar que ninguém explicou verdadeiramente
Por detrás do testemunho estava a pequena questão da cúpula militar desaparecida. O General Randy George, Chefe do Estado-Maior do Exército, a Almirante Lisa Franchetti, o General Jim Slife e o General CQ Brown Jr. foram todos removidos. O Secretário da Marinha John Phelan demitiu-se. É uma remodelação bastante substancial para ser conduzida a meio de uma guerra, e vários legisladores queriam saber porquê.
As respostas de Hegseth foram, para ser generoso, vagas.
Uma calamidade geopolítica, alegadamente
O Representante John Garamendi não teve papas na língua. Chamou à guerra 'uma calamidade geopolítica' e 'um erro estratégico'. As evidências no terreno fazem pouco para contrariar essa avaliação.
- O Irão fechou o Estreito de Ormuz, o ponto de estrangulamento petrolífero mais importante do planeta.
- Os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval em resposta.
- Três porta-aviões norte-americanos estão actualmente destacados no Médio Oriente.
- O Presidente Trump, segundo o Axios, terá rejeitado uma proposta iraniana para reabrir o Estreito em troca do levantamento do bloqueio.
Este último ponto merece reflexão. Uma saída foi oferecida. Foi recusada. Se isso se vai provar uma resolução firme ou uma teimosia insensata será uma questão para os historiadores, e provavelmente para os eleitores antes deles.
O preço astronómico
Os 25 mil milhões de dólares são apenas o começo. Hegseth aproveitou a audição para anunciar uma proposta de orçamento de defesa para 2027 de um histórico 1,5 biliões de dólares. Sim, biliões, com B. Para colocar isso em perspectiva, ultrapassa o PIB anual total da maioria das nações do mundo.
Para os leitores portugueses que acompanham este desenrolar, as implicações não são abstractas. Os EUA presos numa guerra mais ampla no Médio Oriente significam volatilidade nos preços do petróleo, efeitos em cadeia sobre a inflação e uma nova pressão no planeamento da NATO. Os responsáveis em Lisboa estarão a observar o relógio dos Poderes de Guerra com a mesma atenção que qualquer pessoa em Washington.
A Ucrânia recebe uma breve menção
De acordo com The Independent, 400 milhões de dólares em ajuda militar para a Ucrânia, previamente consignada, foram libertados. Vale a pena assinalar que este número aparece no relatório original, mas não o vi corroborado de forma independente noutros locais, pelo que deve ser tratado como uma afirmação de fonte única por agora. Se for exacto, sugere que a administração está ansiosa por ser vista ainda a apoiar Kiev, mesmo enquanto a maior parte da sua atenção, e do seu cheque, está apontada a Teerão.
O que os vacilamentos nos dizem
Audições deste tipo são geralmente ganhas ou perdidas na linguagem corporal tanto quanto no conteúdo. Os momentos mais fortes de Hegseth foram quando estava na ofensiva, atirando a frase 'irresponsáveis, ineptos e derrotistas' aos democratas. Os mais fracos surgiam sempre que era forçado a confrontar as suas próprias palavras passadas ou as contradições intrínsecas ao argumento da administração para a guerra.
Um Secretário de Defesa confiante, ou 'Secretário de Guerra' como algumas legendas recentes da Getty agora o designam, teria tido respostas mais precisas prontas para as perguntas óbvias. O facto de não as ter sugere uma de duas coisas. Ou o argumento para a guerra é genuinamente mais fraco do que a retórica, ou o Pentágono esteve tão ocupado a travá-la que ninguém se deu ao trabalho de simular as perguntas óbvias do Congresso.
Nenhuma das hipóteses é tranquilizadora.
O que acontece a seguir
Hegseth devia regressar ao Capitólio no dia seguinte para uma comparência no Senado a 30 de abril. A pressão política não vai a lado nenhum. O prazo de junho dos Poderes de Guerra é o próximo ponto crítico. Ou a administração garante o apoio do Congresso para uma guerra de duração indefinida com o Irão, ou inicia uma retirada de 30 dias.
Dado o ambiente naquela sala do comité, nenhum dos resultados parece simples. E com base na prestação desta sessão, Hegseth vai precisar de um guião muito melhor para a sequela.
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