Dinamarca teria elaborado planos para destruir pistas de pouso na Gronelândia em caso de ação militar dos EUA

Dinamarca teria elaborado planos para destruir pistas de pouso na Gronelândia em caso de ação militar dos EUA

Planos de contingência revelados em meio a tensões transatlânticas

A Dinamarca teria preparado planos de contingência para demolir pistas de pouso fundamentais na Gronelândia caso os Estados Unidos tentassem uma operação militar para tomar o território, de acordo com relatos da emissora pública dinamarquesa DR.

As revelações pintam um quadro claro de quão seriamente Copenhaga encarou a ameaça de agressão americana ao seu território autónomo no Ártico. Os planos teriam sido elaborados após a operação dos EUA para deter o presidente venezuelano Nicolás Maduro intensificar os receios de que Washington pudesse estar disposto a usar a força para perseguir as suas ambições territoriais mais perto de casa.

Por que a Gronelândia é importante

A Gronelândia, a maior ilha do mundo, tem sido um território autónomo sob o reino dinamarquês durante décadas. Detém um enorme valor estratégico devido à sua posição no Ártico, situada entre a América do Norte e a Europa, e alberga recursos minerais valiosos e infraestruturas militares importantes, incluindo a Base Espacial Pituffik, anteriormente conhecida como Base Aérea de Thule.

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, expressou repetidamente o interesse em adquirir a Gronelândia, levantando a ideia inicialmente durante o seu primeiro mandato. A sugestão foi recebida com descrença generalizada e rejeição firme tanto por parte dos líderes dinamarqueses como dos gronelandeses na época. No entanto, a questão ressurgiu com intensidade renovada, gerando preocupação genuína em Copenhaga sobre até onde Washington poderia ir.

Operação na Venezuela aumentou as apostas

De acordo com os relatos, foi a operação americana visando a liderança da Venezuela que serviu como um ponto de viragem no pensamento de defesa dinamarquês. A disposição dos EUA em tomar medidas diretas e contundentes contra o líder de uma nação soberana teria levado as autoridades dinamarquesas a reavaliar a plausibilidade de uma ação militar contra a Gronelândia.

Os planos de contingência para destruir a infraestrutura aeroportuária foram entendidos como uma estratégia de negação, visando tornar qualquer destacamento militar rápido para a ilha significativamente mais difícil. Desativar pistas de pouso dificultaria a capacidade de forças estrangeiras de desembarcar tropas e equipamentos, ganhando tempo para uma resposta diplomática ou militar.

Uma mudança notável nas relações entre aliados

A própria existência de tais planos é extraordinária. A Dinamarca é um membro fundador da NATO, e a noção de um colega membro da aliança preparar medidas defensivas contra os Estados Unidos teria sido impensável há poucos anos. Isso diz muito sobre a deterioração da confiança entre os aliados ocidentais tradicionais durante este período.

Desde então, a Dinamarca avançou para aumentar significativamente os seus gastos com defesa na região do Ártico, comprometendo milhares de milhões de coroas para reforçar a infraestrutura de segurança da Gronelândia. O governo dinamarquês enquadrou estes investimentos como necessários para proteger a soberania e manter a estabilidade numa parte do mundo cada vez mais contestada.

A própria voz da Gronelândia

Vale a pena notar que a população da Gronelândia, de cerca de 56.000 pessoas, tem a sua própria perspetiva sobre estes assuntos. O território tem estado num caminho gradual em direção a uma maior autonomia, e muitos gronelandeses expressaram frustração por serem tratados como uma moeda de troca na política das grandes potências. Quaisquer decisões sobre o futuro da ilha, argumentaram consistentemente os seus líderes, devem ser tomadas pelo próprio povo gronelandês.

O que isto significa daqui para a frente

Estas revelações provavelmente reacenderão o debate sobre o estado das relações transatlânticas e os limites da solidariedade na aliança quando os interesses nacionais colidem. Para o Reino Unido, que mantém os seus próprios interesses no Ártico e laços estreitos tanto com a Dinamarca como com os Estados Unidos, a situação sublinha o cenário geopolítico cada vez mais complexo no Extremo Norte.

Se os planos de demolição das pistas de pouso permanecem ativos ou se foram revistos desde então não é claro, mas a sua existência por si só marca um capítulo sóbrio no planeamento de segurança europeu moderno.

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Written by

Daniel Benson

Writer, editor, and the entire staff of SignalDaily. Spent years in tech before deciding the news needed fewer press releases and more straight talk. Covers AI, technology, sport and world events — always with context, sometimes with sarcasm. No ads, no paywalls, no patience for clickbait. Based in the UK.