A Era Tudor no Tottenham à Beira do Colapso: Para Onde Vão os Spurs?
Um Clube em Queda Livre
Há crise, há caos, e depois há o que está actualmente a acontecer no Tottenham Hotspur. Uma goleada de 3-0 em casa frente ao Nottingham Forest, a 22 de Março de 2026, deixou os Spurs no 17.º lugar da Premier League com 30 pontos em 31 jogos, a apenas um ponto da zona de descida. Se tivessem dito a qualquer adepto do Tottenham há um ano que a descida seria uma conversa real em Março, teriam sido postos na rua às gargalhadas. Já ninguém ri.
Igor Tudor, nomeado treinador interino em meados de Fevereiro após o despedimento de Thomas Frank, tem supervisionado uma sequência que faria franzir o sobrolho até ao optimista mais convicto. O seu registo é: sete jogos em todas as competições, uma vitória (um jogo da Liga dos Campeões sem qualquer peso), um empate, cinco derrotas. É, por qualquer medida razoável, terrível.
Os Números Contam uma História Sombria
Não vamos dourar os números, porque são genuinamente alarmantes:
- Os Spurs acumulam 13 jogos da Premier League sem vencer, igualando o segundo maior período sem vitórias em toda a história do clube, um registo que remontava a Novembro de 1912.
- Conseguiram apenas 2 vitórias em casa em 16 jogos caseiros esta época, o pior registo no próprio terreno de toda a divisão.
- Apenas 2 vitórias nos últimos 22 jogos do campeonato. Duas. Em vinte e dois.
- A pontuação após 31 jogos é conjuntamente a mais baixa na história do clube, igualando a época de 1914/15.
- Seis derrotas consecutivas na era Frank-Tudor marcaram a primeira vez nos 143 anos de existência do Tottenham que o clube perdeu seis jogos seguidos.
A última vitória na Premier League foi a 28 de Dezembro de 2025. São quase três meses sem saborear um triunfo no campeonato. Para um clube que não há muito tempo tinha ambições na Liga dos Campeões, a queda tem sido de uma velocidade impressionante.
A Missão Impossível de Tudor
Com justiça para com Tudor, ele entrou numa situação que já estava em chamas. Thomas Frank, contratado por três anos em Junho de 2025 para substituir Ange Postecoglou, conseguiu apenas 7 vitórias em 26 jogos no campeonato antes de ser dispensado. Jogadores-chave têm estado ausentes há meses: James Maddison está lesionado no joelho desde a pré-época, enquanto Mo Kudus e Rodrigo Bentancur só recentemente regressaram aos treinos com bola após estarem de fora desde Janeiro.
Depois há a turbulência na administração. A saída de Daniel Levy como presidente após 25 anos criou um vazio no topo do clube. Fabio Paratici, o ex-director desportivo que originalmente tinha recomendado Tudor como opção ainda no Outono de 2025, também saiu em Fevereiro. A estrutura em torno da equipa está a desmoronar-se tão rapidamente quanto os resultados em campo.
O próprio Tudor esteve ausente das obrigações com os meios de comunicação após a derrota frente ao Forest devido ao falecimento de um familiar próximo, com o adjunto Bruno Saltor a assumir o seu lugar. Foi um lembrete de que, por detrás dos esquemas tácticos e da fúria na linha lateral, há seres humanos a lidar com a vida real.
Então, o Que Acontece a Seguir?
O consenso no jornalismo desportivo é claro: a saída de Tudor é uma questão de quando, não de se. O jornalista de transferências Fabrizio Romano confirmou que Tudor partirá no Verão independentemente do que aconteça nas restantes sete jornadas. Jamie Carragher foi mais longe, classificando-a como a "pior contratação na história do Tottenham".
Os principais candidatos a assumir o cargo de forma permanente são Roberto De Zerbi, actualmente sem clube após deixar o Marselha, e que é apontado como o favorito do clube, e Mauricio Pochettino, o homem que levou os Spurs a uma final da Liga dos Campeões e que continua a ser profundamente amado pelos adeptos, apesar de agora treinar a selecção dos Estados Unidos. Outros nomes em equação incluem Robbie Keane, actualmente no Ferencvaros, e Sean Dyche.
Sete Jogos para Salvar uma Época
Os Spurs defrontam o Sunderland fora de casa a 12 de Abril após uma pausa de três semanas, seguindo-se o Brighton em casa, Wolves e Aston Villa fora, Leeds em casa, Chelsea fora e Everton em casa. É uma mistura variada, mas a esta altura cada jogo parece uma final.
A pausa de três semanas antes do jogo com o Sunderland pode revelar-se uma bênção ou uma maldição. Tempo para reorganizar e recuperar jogadores, certamente. Mas também tempo para a negatividade fermentar e para a especulação sobre o futuro de Tudor se intensificar.
O que o Tottenham precisa desesperadamente é de um plano, não apenas para os próximos sete jogos, mas para a próxima época e além. Três treinadores numa única temporada, um presidente de saída, jogadores-chave lesionados e uma base de adeptos levada ao limite. Os problemas no clube são muito mais profundos do que qualquer treinador consegue resolver. Tudor pode partir em breve, mas quem o substituir herdará uma reconstrução de proporções enormes.
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